Catarina – Renata & Eduardo

Por Renata, mãe
37 semanas e 6 dias de gestação

Tu vens, tu vens, eu já escuto os seus sinais…

Feminino. Que rege o que há de mais profundo nessa existência, o gestar, o parir e o maternar… Sombras que vêm à luz, força que inspira o choro, o pulso de vida. Que me virarão novamente do avesso e junto à sua feminilidade me enraizarão na terra, na função mais bela de todas. Restarão os fluidos… Conexão.

Quando seu irmão nasceu, por não sabermos se viria menino ou menina, projetamos 2 filhos, Gabriel e Catarina. Projeção na nossa ilusão, nas paredes do quarto, nos enfeites da maternidade… E Gabriel nasceu. Uma alegria sem fim, uma intensidade sem fim. Mas cadê a Catarina? Éramos completos, mas não éramos completos. Ao guardar seus enfeites no carro, seu pai chorou de alegria por Gabriel, mas chorou também a falta da Catarina. Cadê a Catarina? E você ficou lá, impregnada nas paredes, no cheirinho de algumas roupas, no enfeite que sua tia Clara fez. Você também estava lá…

Vivemos 2 anos de muitos desafios em 3, seu irmão nos ensinando a cada dia, uma explosão de sentimentos, e o que predominava era o amor.

Engravidamos novamente, uma gestação muito bem vinda, mas rápida, num piscar de olhos ela se foi. Se era ou não Catarina, não sabemos, mas sabíamos que não era pra ser, algo muito além de qualquer explicação terrena.

E em outubro de 2015, você veio. Ah Catarina, quanta emoção começar novamente essa jornada que é a gestação, e quão desafiador está sendo gestar e maternar ao mesmo tempo, quão grandioso é, e como é bom voltar a levitar… Gratidão por cada momento em que consegui me conectar a você. Gratidão pela espera, pelos movimentos, inclusive pela sua timidez nos ultrassons. Gratidão por te ver crescer de uma forma tão rápida, sinto sua serenidade em mim, ao mesmo tempo sua força, força de menina, força feminina.

Para o dia do seu nascimento, escolhemos o seu lar. Um lar construído há poucas semanas, mas já repleto de amor. Uma gestação serena merece um nascimento num local sereno. E nessa casa você virá, arrodeada de pessoas que já tanto te amam.

Das mulheres… Voinha de mãe, Cris Balzano de parteira, Andrea de GO irmã, Ana Paula de neonatologista, Aninha de prima que veio de longe pra vivenciar esse momento, que estará aqui a depender do dia em que você decidir nascer.

Dos homens… Voinho de pai coruja, Seu pai de papai.

São muitas as apostas, eu acredito na virada pra lua minguante, como foi com seu irmão. Assim, acredito no 27/06. Seu pai, 24/06. Mas isso são apenas brincadeiras e impressões, o que importa mesmo é o dia que você mesma escolherá.

Sagrado. Venha filha, venha encher nossos dias de mais alegria, venha resgatar o que há de mais feminino em mim, e que eu possa ter esquecido em algum lugar por aí. Venha cumprir sua missão, venha se juntar às mulheres, com toda a sua beleza e fecundidade, toda a sua elevação espiritual. Estou disposta a me entregar pra valer nesse puerpério, a te sentir 100%, a abrir mão de tantas coisas para suprir todas as suas necessidades. Estou disposta a errar, a aprender com você. Vamos conseguir! Venha porque se depender de nós, você será muito, mas muito feliz!!!

15/06/2016

Um quarta-feira qualquer. O primeiro dia em que eu não trabalharia mais, apenas para te esperar. Estava de 37 semanas e 5 dias, eu me imaginei descansando umas 2 semanas pelo menos, rs. Fui tomar café na casa da minha mãe. Ao entrar lá…

“Renata sua barriga desceu”disse minha prima Aninha.

Chega minha mãe: “É hoje!”

“Como assim mãe, ainda tenho tanta coisa pra fazer…”

“Filha, por favor não dirija, e me ligue qualquer coisa”.

Quando a voinha fala, pode esperar que lá vem… Foi assim com o seu irmão. Eu que não era nada de tola, paguei contas, resolvi um monte de pendências da vida as quais eu já deveria ter resolvido há tanto tempo.

Uma sessão de eutonia.

Almoço na minha mãe e ela novamente me pede pra não dirigir.

Mãe, estou ótima, de verdade, tenho consulta com a Andrea e já volto.

No caminho ligo pro seu pai: “Edu, encha aquela banheira hoje” ”Por que hoje?” “Porque minha mãe falou que vai nascer”. Ele disse que encheria…

Ligo novamente: “Edu, estou falando sério”. Ele novamente concorda sem muito concordar. Enfim…

Consulta:

Andrea, minha mãe falou que vai nascer hoje.

“Mas por que hoje?”

“Não sei, minha mãe tem esses feelings”.

Andrea me examina: Altura uterina aquém do esperado. Diz então que pediria um ultrassom pra verificar se estava tudo bem, se não havia restrição de crescimento intra uterino ou qualquer coisa que inviabilizasse o parto domiciliar. Checou novamente minha altura. Comparou com a curva de altura uterina do Biel… hum… curvas semelhantes.

Vamos aguarda a semana que vem, se não aumentar nós realizamos o ultrassom.

Chego em casa, coloco Biel pra dormir. E pela última noite érmaos apenas nós 3. Envio o endereço pra Ana Paula (neonato), bato um papo rápido com ela e explico como chegar em casa.

Envio uma foto do meu rosto pra Andrea Campos (e uma foto do meu rosto de um dia antes de Biel nascer, nariz inchado…). “É, não está inchado” “Ufa”.

22:30 apago de vez.

16/06/2016

2:30 Acordo com uma cólica discreta, mas duradoura. Me sento, durmo, vem outra. Melhor calcular. Qual mesmo o programa que calcula o tempo das contrações??? Baixo um programa qualquer.

5/5minutos, ás vezes duram 40 segundos, ás vezes 20, completamente suportáveis.

3:30 Edu, tá rolando alguma coisa aqui, estou tendo cólicas fracas mas bem ritmadas. “Deixa eu dormir um pouco” Ain??? Depois de 15 minutos. Edu, pode ser que seja alarme falso, mas se a banheira não estiver cheia na hora em que nascer, não te perdoarei.

Ligo pra minha mãe. “Mãe, tá rolando alguma coisa aqui, eu sinceramente não acho que seja algo porque não tenho dor alguma, mas você acha que aviso alguém agora?” ”Renata, segundo filho é assim mesmo, ligue pra Cris Balzano que eu estou indo pra aí”

Envio a foto do cronograma das contrações pra Cris e Andrea.

“Cris, há 1 hora e pouco estou tento contrações fracas, mas está vindo a cada 5 minutos, ás vezes até espaça mais. Eu realmente não acho que esteja em trabalho de parto, mas minha mãe achou melhor ligar porque vocês moram longe. De verdade, acho que vocês vão vir aqui e voltar pra casa”.

Ela me orienta a tomar uma ducha quente, e observar se as contrações cessam após a ducha. Enquanto isso ela iria carregar o carro. Edu me diz: “16/06/2016, bela data”. Eu complemento: “gemininana”.

“Não, não cessam. Elas estão idênticas, mas sem dor.” ”Estou indo pra aí”.

Acendo minha vela, da Nossa Senhora do Bom Parto.

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Chegam meus pais e minha prima. Nessa hora Edu já havia tentado encher a banheira com uma bomba de bola de pilates, haha, sem sucesso, começou a encher na boca.

Eu no quarto, ouvindo minhas músicas de kundalini ioga. Um frio… 4 aquecedores pela casa. Minha mãe, ah minha mãe… Contrações suportáveis mas firmes… Dessa vez não sentia minhas pernas, e sim a lombar. Cada contração e a vontade de me agachar. Conexão com a terra. Minha mãe massageava as costas, ajudava a abrir.

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Chega a Cris (A Andrea nesse meio tempo já fora avisada e estava a caminho).

Cris: “Rê, como você está?” “Estou ótima Cris, acho que não é nada”.

Minha mãe: “Cris, eu conheço a Renata e acho que ela está bem avançada”.

“Mas eu só vim aqui tomar um chá, rs”.

Minha mãe séria, trêmula e asertiva. “Melhor examinar pois a neonato vem de Campinas”.

Eu: “Cris, pode examinar, de boa…”

“7cm bolsa protrusa”, a parteira sai correndo pra pegar as coisas no carro.

“Já passei a piora parte? E sem dor?”. Meu Deus, esse toque foi a melhor coisa que poderia ter acontecido naquela madrugada! Ela estava vindo, daquele jeito tranquilo, estava vindo.

A banheira cheia, só faltava a água!

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Meu pai liga pra Ana Paula que diz: só chegarei aí pra comemorar.

5:30 Biel acorda. Nessa hora, o voinho estava na sala enviando mensagens para o grupo da família, e conta pro Biel que Catarina estava nascendo.

“Então hoje vai ter festa voinho, Catalina vai nascer”.

Que sorriso, que abraço. Filha, que alegria quando seu irmão me abraçava e dizia que você estava chegando de uma nuvem no céu.

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Minha mãe corta a pulseira vermelha, conforme combinado no chá de benção.

Vou pra sala, agora as contrações vinham fortes, sentia que minhas costas se abriam. E novamente sua avó me massageava e doulava lindamente sua chegada. Minha prima fotografava e filmava tudo, ajudava Edu a encher a banheira, e tudo muito rápido. Li os bilhetinhos que minhas amigas deixaram pra esse momento.

A primeira contração de fato desconfortável, eu no escritório, de cócoras. Cris auscultou, “Catarina está ótima”.

Chega Andrea, que se senta no sofá e nos observa.

Papito e Andrea sentados no sofá. Mainha colada em mim, Biel tagarelando sem parar, Cris organizando os paninhos e lencinhos. Edu vendo uma ou outra coisa da logística.

Banheira pronta.

Entro nela, quente quente. Sala quente numa madrugada gelada de inverno. “Mamãe, você quer chá?” ”Não filho, só se for de mentirinha”.

 

1 contração potente.

Olho pro meu pai e pra Andrea: “Olha a arapuca em que vocês me meteram”. “Quem te colocou nessa foi seu marido”, diz seu voinho.

Um puxo…

“A bolsa estourou”. Senti um ploft dentro de mim.

 

Olho pra Edu, que estava tomando um cafezinho. Minha mãe ligeira colocando as luvas. A única que realmente sentia a velocidade da coisa.

“Vai nascer”.

Sai sua cabeça.

“Catalina tá nascendo, eu quelo ver, eu quelo ver a Catalina tá nascendo, quelo ver”.

“Tira, por favor”. Cris me orienta: “se estiver sem contração, não faça força”.

“Ela está bem?”pergunto. “Sim, esta coradinha”, diz Andrea.

Ficamos lá uns 2 minutos, eu te acariciando, sentindo seu cabelo “O cabelo é preto”, seu irmão narrando tudo. Que sensação era aquela. E a contração não vinha… Respirei, aguardei.

Uma nova contração, minha mãe desfaz uma circular de cordão, e novamente me entrega um tesouro. Você, Catarina, aos berros.

Meu Deus. Te vi nascer, te vi nascer daquele jeito. Agora éramos novamente uma, colada na outra. Meu colo alivia teu choro, o carinho de seu pai e irmão, as palavras de alegria te todos dão as boas vindas à criatura mais doce do universo. Te aqueço com a água da banheira, te dou carinho, e você levanta o rosto, do meu peito pro meu rosto. Quando a luz dos olhos seus e a luz dos olhos meus resolvem se encontrar… Indescritível. Filha, é Catarina mesmo? Que rápida que você veio. Silêncio absoluto apenas com aquele colo. Queria paralisar aquele momento, aqueles minutos com você. Explosão de sentimentos, de potência, de respostas, você veio assim minha filha.

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“Pronto, inho, Catalina nasceu”.

“No 4o filho você estará bastante experiente”, brinca seu avô.

Saímos da banheira, vamos pro nosso quarto. Você mama, pega linda de ver, meu seio direito. Minutos eternos. A placenta tarda a sair. Andrea cogita ocitocina intramuscular. Mas eu sabia que ela viria. Cris Balzano fica junto, olha no meu olho, e ela nasce, com mais um sorriso meu. Seu pai corta o cordão.

Ana Paula Caldas, a neonatologista, chega. Você estava ótima. Nasceu pequenininha nas suas 37 semanas e 6 dias, Apgar 10 e 10, 2590kg, 48 cm. Pequenina mas forte, a cara do seu pai. Cabelos negros, olhos de jabuticaba.

E assim ficamos nós, enquanto a equipe tomava café da manhã na sala. Coladas pele a pela, num momento só nosso, único, admirando você nos meus braços e a primavera florida naquele inverno gelado à nossa janela, para aquele momento eternizar.

 

Se entrei na partolândia? Acho que dessa água não beberei, ao menos não nessa vida. Nos 2 partos, me mantive conectada a tudo que havia em volta. O entorno sempre jogou ao nosso favor, a energia incrível da nossa família, nossa equipe, não havia porque me desconectar. E parto é isso, é o que é, do nosso jeito, e não necessariamente temos de nos transformar para parir. Ás vezes basta apenas aceitar o nosso jeito e remar, remar…

Gratidão à equipe Andrea Campos, Cris Balzano, Ana Paula Caldas Machado. Gente, que equipe é essa?

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Ao meu pai que novamente espiou tudinho tudinho, o momento auge de Pai e Voinho coruja!

A minha mãe, que doulou, partejou, participou ativamente de todos os momentos da sua chegada. Mãe, eu não sei o que seria de mim sem você nesse momento. Obrigada por amparar a chegada dos seus netos, e de entregá-los pra mim da forma com que entregou. Incrível sua conexão com os dias dos partos, incrível sua energia mainha.

À Aninha prima querida que participou de tudo, e eternizou em fotos e vídeos a sua chegada!

Aos Meus irmãos Clara, Tavinho, aos cunhados Tania e Dani, pela vibração à distância!!!

Ao tio Zezinho, tia Angela, Thais e William pela confiança!

Ao Edú, que tanta serenidade me passou (arrasou more). Confiou em mim, dançou nossa música, sem pestanejar. Te amo te amo te amo!!!

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Ao Bibi, fantástica atuação, narrou os fatos, doulou a mãe, me mandou fazer força e ao final: “Catalina vai nascer”, “eu quelo ver”, “olha aí Catalina”. 😍😍😍

Ao movimento da humanização do nascimento, que a cada dia amplia mais seus horizontes, conquistando adeptas de uma forma tão digna de vir ao mundo.

À Deus ou à Deusa, que me permitiu um encontro sem igual.

E à Catarina, ah filha, que potência você nos traz! Obrigada pela experiência mais forte que vivenciei na minha vida. Pari você em casa, com as pessoas mais especiais à nossa volta. E cada lugar do apartamento será o lugar onde comecei a sentir o trabalho de parto, onde tive a contração mais forte, onde enfim você nasceu e veio pra nós, onde fez sua primeira mamada.

Que eu possa ter a serenidade pra te ajudar em todas as suas missões, já te amamos incondicionalmente, nossa duplamente geminiana.

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