Isabela – Débora & Carlos

Lua azul em noite julina lá fora é holofote para a estreia de Belinha

O mais legal de esperar alguém nascer no dia em que quer é que a vida vai rolando e esse ser lindo pode chegar a qualquer momento. Sem ter de montar um cenário com dia e hora marcados, a vida acontece naturalmente.

Prepare a pipoca e – talvez – os lencinhos. Eis aqui, a história da estreia de Isabela, nossa leoa Belinha.

Belinha, hoje, faz um mês que você nasceu. No dia anterior a sua chegada, eu e Carlos, “o papai”, fomos ao GAMA (Grupo de Apoio à Maternidade Ativa). Ouvimos o relato de parto de Joana, uma linda pequenina e ficamos felizes porque vimos bastante seus pais no GAMA nesses meses. Eu era a mamãe com mais semanas de gravidez daquela reunião (38+6) e estava falando justamente que a gestação saudável é conseguir sair e viver numa boa, sem restrições com quase 39 semanas e que você, nossa pequena, viria a qualquer instante e “tudo bem”.

Fomos dormir à meia-noite e, às 3h59, peguei meu celular e vi a foto da Laurinha que nascera há algumas horas, na noite anterior – filha de uma amiga minha (Dany) com a qual eu conversei naquela hora. Acordei com as dores das primeiras contrações. Ah, eu sabia que não eram pródromos, que não era nenhuma contração de treinamento. Era pra valer. Era você dizendo: “Mamãe, te prepara que tô chegando na área”. Aí, eu entendi a resposta da querida doula Janie Paula a minha pergunta: “Como eu saberei que as contrações não são de treinamento, são as de verdade?”; ela, sempre mui direta: “Você vai saber.”

A pequena leoa não quis esperar Agosto. Estava decidida a vir naquele 31 de julho. Até às 6h05, foram apenas 14 contrações irregulares ainda que duravam uns 50 segundos.

O papai estava muito feliz demais repetindo: “Chegou o dia!” e foi pegar bolsar de água quente para aliviar a minha dor. Outro sinal de que a hora estava chegando: evacuei 3 vezes na primeira hora e eu já sabia que era uma dica do trabalho de parto fluindo, o organismo se preparando naturalmente para você chegar.

Outra coisa que pode ou não ser verdade mas que eu achava que tinha sentido é que a lua ia mudar para cheia nesse dia, sexta, 31 de julho e que as possibilidades de o parto acontecer aumentavam. E era a linda lua azul que estava chegando, a lua das fadas. E, já que adoro a lua, seria mais do que perfeito sua chegada, Belinha, nesse cenário.

As contrações estavam ficando bem doloridas, mas eu sabia que faziam parte e que vinham e iam como ondas intensas. Começamos a ouvir música (Jack Johnson) e ficamos deitados na cama bem quietinhos. Isabela, você começou a soluçar e era tão gostoso senti-la aqui dentro e saber que logo te veria. Estava tranquila e deixando você “conversar” comigo, no seu tempo, sem pressa, saboreando cada instante. (Até aqui, eu estava escrevendo no seu diário, Belinha, mas já eram 6h28 e não sabia até quando iria aguentar escrever porque a dor estava aumentando.) Os pássaros começavam a cantar para o raiar do seu dia.

Papai estava marcando todas as contrações e falando com a Janie. Até ela e Anna Amorim chegarem, levantamos e eu fui para a bola de pilates para tentar relaxar. O papai dizia a todo momento: “O dia chegou! É hoje!”. Foram mais 51 contrações até elas chegarem. O dia da Belinha era mesmo aquele.

Às 9h20, Janie e Anna chegaram. Janie ajudava a mamãe nas respirações. Anna até fez café para ela com a ajuda do papai. Eles não achavam o bule de jeito nenhum…rs…

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Lembro bem da bola de pilates e do papai me ajudando com as bolsas de água quente para as costas. Tomei água de coco e comi uma pêra.

Babi, a obstetriz chegou por volta de 10h15 e me examinou. Depois que tudo passou, fiquei sabendo que, nessa hora, eu já estava com 8 de dilatação. Então, vi a movimentação um pouco mais acelerada e saímos de casa por volta das 11h. Foi uma loucura.

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Papai foi bem rápido e, acredite!, ter contrações no carro pulando não é algo suave…rs…Até achei que algo estava errado pela pressa e porque ele “furava” faróis. Mas, estava tudo certo. A dor aumentava e eu só queria ficar de olhos fechados.

Chegamos no hospital Albert Einstein por volta das 11h30. A Janie saiu do carro e pediu, carro a carro que estavam na nossa frente para abrirem passagem. No fim das contas, entramos pela cancela da saída.

Percebi que todos estavam com pressa e, apesar da dor, eu estava mais calma que todos eles juntos. Era engraçado. Um enfermeiro chegou e perguntou se eu queria ir caminhando ou com cadeira de rodas. Preferi a cadeira. Preferimos, certo? Rs. Mamãe estava com dor, mas era uma dor do bem porque fazia parte da sua linda e esperada chegada.

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A partir daí, seria um pouco mais intenso. Chegando ao quarto, a Dra. Carol Maia me examinou e viu que estava tudo bem comigo e com você.

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Fui ao banheiro e parte da bolsa rompeu naquele exato momento, quando eu ainda estava em pé. Isso era mais um sinal de que você estava chegando pra valer. Doía bastante, mas era tudo muito bom e bonito e mágico e divino porque você, Belinha amada, estava chegando. Mamãe estava muito feliz e nunca pensou em desistir e nem em pedir remédio para dor e nem tive medo porque o papai estava lá e uma equipe de ouro: Janie Paula (doula), Carol Maia (obstetra), Carol Falcone (pediatra), Babi Bordegatto (obstetriz) e Anna Amorim (fotógrafa).

Foram 7 horas após a chegada no hospital e, antes, 7h30 em casa e no caminho. Mas, na minha “partolândia” pareceu umas 4 horas no total. Juro. Não pareceu que foram 14 horas e meia.

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Mamãe fez muitos exercícios para você chegar: caminhei, usei a bola de pilates, fiz uma “dança” maluca com a Janie, fiquei um pouco no chuveiro e o papai Carlos molhava minhas costas para a dor melhorar, depois fiquei na banheira com água quentinha também. Quanto às posições, fui para a cama e me apoiei minhas mãos em seu encosto, usei a banqueta de parto e não gostei (mas, isso é muito de cada gestante), fiquei na cama de lado e, aparentemente, eu tinha encontrado a posição que você, minha pequena Isabela, queria vir: de cócoras como, ironicamente, muitos me zombaram: tal qual uma índia e muito feliz com essa comparação porque era a melhor forma, a que você escolheu.

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Após umas 5 horas no hospital, o “expulsivo” começava e fiquei de cócoras a cada contração e o papai Carlos ajudava me apoiando quando eu agachava e me levantando quando a contração passava porque eu preferia ficar em pé entre uma onda e outra.

Depois de um tempo, a Dra Carol Maia sugeriu usarmos um “cheirinho”, só um pouquinho de ocitocina, um remédio que ajudaria você chegar mais rápido, porque o expulsivo estava um pouco prolongado. Pois é. O parto humanizado é assim, imprevisível. Não é só porque você chega com 8 de dilatação no hospital que o bebê vai nascer logo. Tudo pode acontecer e é essa a maravilha disso tudo. Não ficar frustrada pela demora e se entregar ao processo é libertador, é incrível, é deliciosamente maravilhoso porque é o resultado de ouvir o seu corpo, seu coração e a você, Belinha. Mamãe estava ouvindo você falando comigo. Parecia que não ia dar certo? Nunca. Mamãe estava cansada? Sim, estava, mas consciente de que tudo pelo que estávamos passando era normal, fazia parte de nossa história. Se fosse diferente, não seria a nossa vida acontecendo. Era uma aventura emocionante. Cada detalhe fazia a diferença.

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Ouvíamos as músicas que papai e mamãe escolheram para a trilha de sua chegada e, entre uma onda e outra, eu cantava, fazia piadas e me via com a Janie enfiando uvas e água de coco na minha boca. Era muito legal…haha.

Eu disse à Carol Maia que confiava nela, para fazer o que fosse preciso e tomei a ocitonia. Às vezes, a outra Dra Carol, a Falcone, vinha examinar você e sempre estava tudo bem. Seu coração é de leoa mesmo, muito forte, guerreiro e batia sempre no ritmo certinho e saudável. Foi excelente o tempo todo. Mamãe estava grata a Deus por isso. Você foi feita para vencer!

O papai foi incrível com a gente. Entre uma onda (contração) e outra de dor, ele falava comigo e com você, nos apoiava com doces palavras e fisicamente quando eu agachava e levantava.

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Daí para frente, foi só aguentar cada onda. Fiquei cansada, mas a Janie e a Carol Maia e todas diziam: “Você vai conseguir”, “É você que fará esse bebê nascer e mais ninguém”, “A Isabela tá chegando”. A lombar doía, era você chegando e se encaixando cada vez mais no caminho para nascer.”

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Percebi que iria chegar ao fim quando a Janie mostrava sua cabecinha por um espelho até que eu te toquei. Respirava fundo e aproveitava a contração para fazer força e você nascer. Pedia a Deus para ter força porque foram várias contrações e você não chegava.

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Realmente, fiquei um pouco agoniada, mas NUNCA quis desistir. Você estava escolhendo o minuto exato para vir, não poderia ser diferente porque estava escrito no seu “livro da vida”, meu amor, minha pequena, meu anjinho. Ouvi alguém dizer que eu estava com medo e disse para todos ouvirem: “Eu não tô com medo”.

Senti o “círculo de fogo”, uma ardência, queimação lá embaixo algumas ondas antes da final. Era maravilhoso saber que logo veríamos uma a outra, veria seu rostinho lindo e sentiria seu cheiro e seu calor no meu peito.

Dra. Ju Sandler também chegou. De repente, toda a espera acabou. Eu tinha certeza de que era aquela onda que faria você chegar. E foi. Sua cabeça apareceu e saiu. Perguntei à Dra Carol Maia se eu precisava esperar outra contração para fazer força e o restante do corpo sair. Ela disse que eu poderia fazer força se sentisse vontade. Senti. Fiz. O restante do seu corpinho “escorregou” e levei as mãos ao rosto e disse: “bebê!” e o papai disse também: “bebê!”. Você chorou, eu chorei e papai chorou. Você veio ao mundo, bela como deveria ser.

A mamãe estava de cócoras, sim. Igual às índias, sim! Porque você quis vir assim e eu apenas me permiti ouvir sua vontade e respeitar também o que meu corpo nos dizia. Empoderada, abençoada, iluminada, me sentia ótima por ter sido escolhida para te parir. Era dia 31 de julho de 2015, 18h30. Uma sexta-feira, dia de virada de lua cheia, lua “azul”. Perfeito para tudo acontecer.

Nascimento_Isabela_A_024Te peguei no colo e foi absolutamente incrível. Você estava linda. Minha Belinha, coisa mais linda da mamãe e do papai. Eu estava apaixonada por você e já te amando para sempre, minha flor. Me ajudaram a levantar e fomos para a cama e eu e papai pudemos conhecer você melhor.

Tive um machucadinho (laceração), porque você nasceu com a mão próxima ao rosto, mas as Dras. Carol Maia e Juliana Sandler fizeram pontos e tudo certo. Muito melhor que a episiotomia, corte feito de forma programada e desnecessária.

Após 7 minutos, a placenta onde você ficava dentro da minha barriga, nasceu. Você continuava no meu colo. Isabela, linda, você nasceu com 50 cm e 3,180 kg.

Ficamos admirados porque você é tão cabeluda e sempre achei bebês cabeludos lindos. Mas, claro que você é muito mais linda que todos…rs

Eu e papai ficamos te olhando e estávamos tão encantados que nada em volta era mais importante do que nós 3 juntos. Você mamou por uns 40 minutos, segundo a Dra. Carol Falcone. A hora de ouro, a primeira após seu nascimento, foi respeitada e pudemos namorar você. Foi lindo, maravilhoso, único, sensacional, emocionante, incrível.

Mulher-gestante-guerreira, essa agora é para você: achou que eu sou corajosa ou louca de ter parido assim? Saiba que você sabe parir. Ouvi de muita gente que eu sou fraca e pouco tolerante à dor. Pode até ser que tenha sido assim para outras dores, para outros momentos. Mas, quando uma mulher vai parir, não tem cordão no pescoço, não tem barriga grande ou pequena, não tem bebê grande ou pequeno, não tem nada nesse mundo que a impeça se não ela mesma (ou algo sério com diagnóstico de exceção). Quem tem a vontade e determinação de parir, vai parir e ponto-final. Quem faz o parto é a mulher cheia de querer fazer acontecer independentemente do que vai ouvir antes, durante e depois de parir.

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Não sou a primeira e (graças a Deus) não serei a última a parir de acordo com o natural. Vamos deixar outros tipos de partos para emergências, para salvar vidas, para ser usado quando preciso. Não deixe outras pessoas escolherem por você. Não sou contra a cesárea e outros procedimentos (eu tomei ocitocina…bem pouco), mas acho que deve ser exceção e não regra, marcada como uma diária de hotel para curtir as férias. A vida não tem hora para acontecer. Pode ser na véspera de Natal, (diria o pequeno Chico para Paty e Rodrigo) ou no Km 14 da Marginal Pinheiros (diria o pequeno Sam para Thalita e Vinícius). Deixe o seu bebê escolher o dia em que quer nascer. É um pequeno milagre e não uma viagem marcada (apenas se muito necessário).

Não tenha medo de parir porque você pode. Só você pode. Se quer, já é ais que meio caminho andado. Vá em frente, não desista. E, se quiser, meu incentivo está aqui pra sempre registrado. Digo, de novo: você quer, você pode. Empoderada, vá em frente. A vida pede mais amor, mais liberdade.

E viva a vida!!!

Débs, Carlinhos e Belinha.

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