Benjamim – Karla & Fernando

Pela doula
39 semanas e 2 dias de gestação

Querido Benjamim, escrevo para guardar registrado um momento muito especial para mim, que foi poder ver sua mãe te parir! Escrevo com as memórias de quem viu de fora sabendo que dentro de sua mãe um universo de emoções, sensações e ondas únicas passaram, mas que somente ela pode contar.

Eu e sua mãe fomos apresentadas por uma amiga muito querida em comum, pois eu sou doula e sua mãe queria se preparar e ter apoio durante seu nascimento. Nos encontramos, eu, sua mãe, seu pai e seu irmão quando ainda faltava um tempinho para você nascer. Conversamos, conheci um pouco da história deles três, eles me conheceram um pouco também e assim, dias depois, sua mãe me ligou e acordamos que eu a apoiaria no momento do seu nascimento. Fiquei muito contente!

Nos encontramos outras vezes. Com seu pai e sua mãe juntos passamos todo o parto, como ele acontece e como eles gostariam de viver aquele momento, foi lindo ouvir as escolhas que eles estavam fazendo para esse momento. Outra vez com sua mãe, que logo em seguida se agilizou e terminou de organizar tudo para sua chegada. Pintura da casa, coisas para se ter em casa durante o trabalho de parto e um plano de parto bem completo. Colocou tudo em dia, tirou as dúvidas, se preparou, acabou o check list, parou de trabalhar e ufa, agora era o tempo da vida.

Seguimos nos falando, ela estava fazendo consultas de acompanhamento e trocávamos mensagens. Até que dia 11 de março, no final da manhã recebi um telefonema. Ela estava em casa, sentindo cólicas, que tinham ritmo, já achava que era trabalho de parto mesmo. Nos falamos um tempo depois e tivemos certeza, estavam ritmadas as cólicas, ela já havia pedido para seu pai voltar do trabalho, ía ligar para a médica, de fato chegou o grande momento!

Horas depois estávamos a caminho, fui com a Renata Penna, que tinha combinado com seus pais de fotografar o parto. Chegamos as 16:30, seu pai já estava lá. Quando chegamos sua mãe estava deitada na cama, respirando, conversando. Seu pai marcava as contrações no celular. Seu irmão estava vendo filme no quarto dele comendo pipoca. Ele comeu muuuita pipoca!!! Estava animado e nos recebeu com um sorriso muito simpático.

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A tarde foi caindo, sua mãe seguia respirando e vivendo bem cada contração. Bolsa quente na lombar que começou a doer mais. Ela começou a falar um Aaaaaa… quando vinham as contrações pra lidar melhor com a dor que elas traziam.

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Seu pai desceu por volta das 7 horas pra dar um passeio com a Aisha (cachorrinha que carinhosamente não ficou latindo enlouquecidamente como geralmente faz com as visitas) e com seu irmão. Enquanto isso sua mãe se conectava cada vez mais com você. A dor aumentava, ela já fazia um AAAAaaaa um pouco mais forte. Sentou um pouco na bola de pilates. Caminhou pela sala. Tomou água de coco.

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Deu uma caminhada pela casa e voltou a se deitar. Ela se sentia bem na cama, o corpo sentia, era bonito ver ela parando de falar, sentindo o corpo, tentando relaxar e deixar aquela onda de dor agir e passar.

Seu pai e seu irmão voltaram, pedimos uma pizza para jantarmos. Seu pai comeu com seu irmão, deu banho e ele foi dormir depois de dar muitos beijos na sua mãe. Ele perguntou “mãe, você está doente?” e ela respondeu com muito amor que não, que estava tudo bem e que ele podia ficar tranquilo. Ele ficou! Que amor! Dormiu deliciosamente durante toda a noite.

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Sua mãe então escolheu ir para o chuveiro, deixar a água a ajudar a lidar com as contrações. Ficamos no banheiro até que chegou a Dra. Betina, que a examinou e disse que ela estava indo muito bem! Como imaginávamos! Naquele momento ela não contou para sua mãe nem para seu pai, mas sua mãe já estava com 7cm de dilatação.

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Do chuveiro para a bola de pilates, muita massagem na lombar, respirando, gritando, apertando seu pai… E sua mãe seguia dilatando e vivendo bem as contrações. Como ela foi forte, determinada! Ela foi muito ativa! Conversava com você e pedia sua ajuda para seguir adiante.

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A dor começou a ficar mais forte, ela se deitou de novo, apertava as mãos do seu pai, pedia a ajuda dele para conseguir viver aquela dor. Eu a massageava na lombar. Betina conversava com ela, indicando formas de respirar. Chegou o pediatra Cacá, que iria te acompanhar nos primeiros momentos de vida.

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E com todos esses momentos passaram algumas horas, já passava da meia-noite, sua mãe aceitou sugestões e caminhou um pouco mais, se movimentou, sentou na banqueta, passou um tempo no chuveiro com seu pai. A dilatação parecia estar super bem, mas por algum motivo, que não da para saber qual, você estava um pouco alto e precisava descer mais. Ela fez tudo o que podia para ajudar a te encaixar.

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A dor começou a ficar muito forte, a expressão da sua mãe mudou, o grito mudou. Depois de esperarmos e o trabalho de parto não avançar, seus pais e a Betina decidiram juntos ir para o hospital para, com a ajuda da anestesia, fazer com que o trabalho de parto continuasse a evoluir.

Como o hospital não permitia a entrada de fotógrafos a Renata não pode ir. Chegando lá descobrimos que seu pai esqueceu o chip da câmera em casa, o registro ficou na filmadora e dentro de nós! <3

Seu pai terminou de pegar o que sua mãe indicava para a mala da maternidade e ligou para seus avós para que eles ficassem com seu irmão, enquanto isso ajudei sua mãe a se vestir, peguei nossas bolsas, todos reuniram suas coisas e rapidamente fomos para o carro. Tudo isso enquanto sua mãe seguia tendo contrações bem doloridas! O caminho foi muito difícil para sua mãe, dava pra ver no rosto dela que a dor estava muito forte, ela gritava e seu pai dirigia atentamente e o mais rápido possível. Perto do hospital uma viatura da polícia parou ao nosso lado, sua mãe gritava e eles olhavam tentando entender o que acontecia alí. Imagina ter que explicar naquela altura do campeonato? Só se eles fossem junto para o hospital!!!

Chegamos por volta de 03:30am, sua mãe deitou na maca e foi levada rapidamente para a sala delivery.  Seu pai foi estacionar e preencher a ficha de entrada no hospital.  Parecia uma cena de filme, tudo muito rápido para que sua mãe fosse atendida logo.

Sua mãe recebeu anestesia, demorou um pouco para amenizar a dor, mas logo veio um respiro mais calmo, um sorriso e a vontade de seguir o trabalho de parto. Você ainda não tinha descido, Betina conduziu e com a ajuda do seu pai sua mãe conseguia fazer força e devagarinho começamos a ver seus cabelos. Sua mãe tossia e isso também ajudava a te fazer descer! Não estava fácil para sua mãe fazer força, com ajuda ela foi testando vários jeitos e você desceu um pouquinho mais. Só que a dor voltou, voltou muito forte e ela recebeu mais um pouco de anestesia para conseguir seguir.

Sua mãe já estava cansada, os olhos dela já diziam que ela queria ter você nos braços dela. Nesse momento ela mergulhou fundo e muitas lágrimas saíram. Ela chorou tantas coisas. Seu pai a abraçou, acolheu e quando as lágrimas  já haviam tirado um tanto de coisas que ficariam para a vida de antes, de antes de você nascer, ela respirou, se acalmou e os a determinação a contagiou. Ela ía  te fazer nascer! Palavras da Betina, parceria com seu pai e um grande apoio do Cacá ela conseguiu te ajudar a descer mais, e mais, e mais!

As 8 horas em ponto você nasceu! Primeiro a cabeça, mais força, e 8:02 passou também seu corpinho! Você foi para o colo da sua mãe, que chorou de emoção! Seu pai também estava muito emocionado e as lágrimas rolavam! Você foi massageado e logo começou a fazer barulhinhos, respirar e chorar. Chorou acompanhando a emoção dos seus pais, recebendo muito ar em seus pulmões, ganhando a vida aérea. Sua mãe o acolheu lindamente, perto do peito, com os olhos cheios de amor, te olhou de frente, te abraçou e comemorou a felicidade de ter parido.

Querido Benjamim, foi uma alegria muito grande ver seu pai e sua mãe no momento do seu nascimento. Ver como os dois são parceiros, se apoiam e acreditam um no outro. Foi lindo ver o quanto eles queriam te receber e o quanto se entregaram para viver seu nascimento. Foi lindo ver o quando o Bernardo foi parceiro e do jeito dele deixou sua mãe se concentrar no seu nascimento. Aprendi muito, muito com seu nascimento! 

Que você tenha uma vida linda, plena de lindos desafios que te ensinem coisas boas, muito respeito a amor, tal como foi seu nascimento!


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Um cheiro e um carinho eterno, da doula que te viu nascer.

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