Gabriel – Renata & Eduardo

Por Renata, mãe
39 semanas e 3 dias de gestação

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Um dia antes do parto!

BEBEZINHO

(escrito com 37 semanas e 3 dias de gestação)

Há muito te espero. Talvez você não saiba (acredito que saiba há tanto tempo quanto eu), mas faz muitos anos que eu imagino essa gestação, essa maternidade, a vontade enlouquecedora de ser mãe. Vontade essa de conceber, de gestar os 9-10 meses, de dar à luz um bebezinho lindo, de deixar de ser uma para ser duas ou mais de uma só vez. Esses pensamentos incríveis me dominavam durante toda a adolescência e mais intensamente na faculdade após conhecer seu papi, quando me imaginava parindo, sentindo (talvez de uma outra forma um pouco contaminada pelo ambiente médico, rsrsrs), cuidando, amamentando. Há quanto eu te espero!

Formados, empregados, casados, agora não teríamos mais o que esperar. Em outubro de 2012 você passou pro lado de cá! A vontade era tamanha, nossa e sua, que não haveria a menor dúvida, você estava lá e eu sabia. E já mentalizava sua implantação, seu desenvolvimento, sua nutrição em meu ventre. Aos poucos seu pai foi percebendo também. A alegria era tanta a cada dia que passava… Antes mesmo do atraso da menstruação eu já falava com você! E após 1, 2, 3 dias de atraso, meus seios se tornando diferentes, o sono e fome aumentando gostosamente, não tínhamos dúvida.  Resolvemos não fazer o exame para não te expor tão cedo, pra dar também o seu tempo, pra você crescer e amadurecer saudavelmente.

Com 9 semanas resolvemos fazer o teste para que o óbvio aparecesse. Que delícia esse momento, e que delícia maior ainda foi contar pros seus avós e tios o que todos ansiosamente desejavam! Bebê, que alegria!!! Muita alegria mesmo!!! Você sentiu tudo isso de pertinho! Sentiu tanto e ficou tão feliz pela recepção que desde 10 semanas eu te sinto mexer, espoletinha, nadar de um lado pro outro (obviamente que movimentos sutis, um tremor estranho no pé da barriga, que foi modificando, se tornando mais intenso, até que com 19 semanas as vibrações se tornaram chutes, e de lá pra cá meu arrozinho se tornou o arrozinho pula-pula!). Nunca imaginei sentir tamanha alegria a cada movimento seu! (Dizem que eu te estimulei demais, eu não me arrependo, rsrss).

CURSO DA GESTAÇÃO

A primeira consulta foi com 11 semanas (que já estava agendada antes mesmo de a menstruação atrasar, há 2 mesesJ). E com muita alegria, na primeira tentativa, já ouvimos seu coraçãozinho. Foi aí que a ficha de seu avô Jorge caiu, juntamente com suas lágrimas e pulos quando contamos pra ele: “Então eu vou realmente ser avôooo”.

O primeiro US com quase 12 semanas apenas para verificar que você não tinha nenhum irmãozinho(a) escondidinho aqui dentro. Que emoção quando sua avó Mema e eu vimos o seu rostinho. 4,6cm e já se movia com tanta vitalidade! Já cruzava a perna direita como sua mãe e como seu avô materno! Inacreditável sensação.

Bem, nessa gestação quão abençoada eu fui! Amplifiquei algumas das melhores sensações do mundo que são o comer e o dormir, rsrsrs. Viajamos, andamos de balão, entramos nas cavernas, gestação = saúde! Apesar das múltiplas espinhas, me sentia LINDA e BELA! Poderosíssima! Rsrs Não andava, e sim levitava…

Quando ingressamos no 2o trimestre, aí que o poder tomou conta de mim! Super mulher / super pediatra / eu poderia fazer tudo, pois minha disposição estava redobrada! Muito bom isso! O 2o US e vimos seu narizinho e sua boquinha igual a da família do papis, que lindo é você nosso bebê!!!

Em nenhum momento pensei em saber se você era menino ou menina! Sempre quis a surpresa do momento. Seu papi de início se preocupou com as roupinhas, mas depois de viajar e comprar o essencial, viu que a surpresa é muito legal! E realmente não importa se você será Catarina ou Gabriel! Tentei ter algumas intuições, é verdade. Pedi pra sonhar com você um dia, sonhei com um menininho, mas nos sonhos o plano espiritual pode querer brincar conosco, e está muito divertido fazer as apostas e bolões entre  a família e amigos! A toda hora me perguntam: mas você não viu no US? NÃO! Facilmente desviava o rosto quando o médico me pedia pra desviar e ponto, isso não é e nunca será um sofrimento. Arrozinho ou Arrozinha, já te amamos intensamente!!!

E chegamos no 3o trimestre… Peço-te desculpas do fundo do meu coração se com 28 semanas comecei a pensar coisas que até então não passavam na minha cabeça. A barriga da mamãe ficava muito dura em qualquer movimento que ela fazia, e apesar de várias mães dizerem que também sentiam isso, tinha um receio pediátrico de que por algum motivo você viesse um pouco antes da hora.  Enfrentaria tudo o que fosse necessário por você, mas tive medo sim! Até chorei! Mas consegui com o apoio de toda a equipe e do seu papis pensar em outras coisas, desacelerar absurdamente no trabalho, realmente acreditar que as contrações estavam apenas treinando para que a sua passagem ocorresse de forma mais fisiológica.  Um cálculo renal visitou a mamãe nesse finalzinho, mas veio para treinarmos lentamente a lidar com nossas inseguranças, medos e dores. E eu não ligo mais pra ele!

Tive outros pequenos grandes medos… Minha barriga não crescia como a das outras gestantes. Por que isso? Eu já engordei uns 10kg, que só apareceram na minha barriga (até meu rosto, meus braços e pernas pareciam emagrecer pra você crescer), comia o que tinha vontade sem exagerar, mas sem me controlar. Seu pai e sua mãe nasceram de duas pessoas pequenininhas, e mesmo assim de 3250g e 3200g.  O último US me tranquilizou quando viu que apesar de você não ser tão gordinho, você era mignon (mas dentro do normal). Esse US foi com 32 semanas, mas minha barriga desde lá continua crescendo devagar e sempre, mas crescendo! E você me mostrando a cada dia o quanto você está mais forte, com seus movimentos incríveis!!!

PLANO DE PARTO

Bebezinho, passamos, portanto, por várias esperas, algumas com mais, outras com menos ansiedade. E finalmente o momento está chegando. Suas coisinhas já estão ajeitadinhas, seu quarto lindo, sua cama rente à minha que o papai montou com tanto carinho já estão te esperando. Mas fique tranquilo(a) que as coisinhas continuarão lá e te esperarão até que você esteja pronto(a) pra nos conhecer. E é desse momento que eu quero conversar agora…

Quando você estiver prontinho(a), passaremos por algumas horas não difíceis, mas com certeza intensas. A passagem pro mundo de cá não é tão simples, mas tudo o que a mamãe tem feito até hoje foi para tornar esse momento o mais trânquilo possível. Teremos de ser cúmplices desde o início. Para isso, contaremos com uma equipe fantástica!

Apesar de o papel de cada um ser diferente do outro, não consigo na minha cabeça separá-los. Imagino obstetra virando parteira, parteira virando doula, que vira obstetra, neonato que vira doula e depois volta a ser neonato. E avós que pela primeira vez estarão no papel de avós, mas que também nos doularão e partejarão até que você venha para o meu braço.

Andrea, que te conhece desde que você estava apenas nos meus planos… Ela é pupila/aprendiz do vovô Jorge, praticamente minha irmã mais velha. Escolhida pela sua cumplicidade, alegria, competência  e serenidade.

Cris Balzano, escolhida pela seu lado intuitivo, místico, apaixonado, vibrante.

Ana Cris, com sua força, sua presença, seu abraço, sua capacidade em escolher as palavras certas nos momentos certos.

Ana Paula, escolhida pela energia maravilhosa que emana. Essa energia que cuidará de você quando você nascer, respeitando o seu momento conosco e a sua transição para o nosso mundo. E que rezará junto com sua voinha para que dê tudo certo!

Anas, Criss e Andreas, essas mulheres são fantásticas, participaram desde o início do movimento pela humanização do nascimento. Líderes guerreiras, me espelho em cada uma delas! Com certeza tornarão o nosso momento mais tranquilo e alegre!

Além delas, seus avós estarão presentes, não me imagino parindo sem eles, que estão curtindo cada etapa junto conosco, serão duas energias maravilhosas a mais para facilitar o processo! E quanta emoção! Espero os seus olhares ansiosos, mas serenos, o apoio infinito a cada momento, a palavra encorajadora e o olhar/abraço/toque eterno. Para que juntos passemos de uma geração à outra, de filha à mãe, de pais à voinha e voinho. Vai dar tudo certo meu bebê!!!

Imagino diversas cenas para esse momento: a cada contração, uma cócoras. A cada dúvida, um abraço e um olhar de apoio. As músicas (algumas escolhidas pelo seu avô Jorge, outras por mim, outras mais zen que a equipe deve ter, rsrsrs) para meditar e fazer o tempo passar. A água para relaxar. Enfim, tudo o que estiver ao nosso alcance para que mamãe suporte todos os desafios do momento. Fique tranquilo(a), você não precisa pensar nisso ainda. Quando eu precisar do seu apoio, te falo exatamente o que fazer. E o meu maior mantra: “eu vou conseguir”. Absolutamente tudo o que quis nessa vida eu alcancei. Nos dois anos em que prestei vestibular, quando tinha qualquer dúvida, mentalizava “eu vou conseguir”. Esse mantra percorreu todos esses anos desde lá, e me ajuda em 100% das coisas que eu desejo. Eu vou conseguir, nós vamos conseguir!!!

Eu penso em todas essas cenas, tanto no Hospital São Luiz, quanto na nossa casinha.  Gostaria muito que fosse na nossa casinha!!! Adoraria um parto vapt-vupt em que não desse tempo de ir ao Hospital, e entre parir no carro e em casa, obviamente que escolheria o nosso lar. Mas não sendo vapt-vupt, depois de muito conversar com seu papis, não acho que seria uma boa pra ele, que não conseguiria curtir e participar desse momento do jeito que gostaríamos.

Sempre me imaginei parindo rapidamente, talvez pelas histórias da minha mãe. Se a natureza assim quiser, vamo que vamo. Se levar mais tempo do que os da minha mãe, estou preparada e me entrego pro que for preciso!

Se a mamãe necessitar de qualquer procedimento para nos ajudar, ela não terá vergonha nenhuma de passar por eles. Se por um acaso necessitarmos (não acredito, não quero, não precisarei), aguentaremos tudinho juntos. Mas nada será necessário. Alguns, como analgesia, por exemplo, não fazem parte dos meus planos. Mas… não será o fim do mundo pra mim se eu precisar dela (não vou precisar). E falando em dores, minhas piores decorreram da enxaqueca, mas não costumo ter cólicas ou afins. Me considero tolerante às dores físicas, não gosto de tomar remédio, mas realmente não sei como lido com cólicas. Acho que prefiro cólicas às agulhadas, rsrsr.

Fotos: quero muitas, mas sem fotógrafos, sem tecnologia! Adoro fotos e filmes! Me inspirei em vários e quero que as nossas também sirvam de inspiração para outras gestantes!

Depois que você nascer, quero ficar grudadinha o máximo que der, você, eu e seu papi. Quero muito te acalantar em meu colo e se possível te colocar no peito pra que essas gotinhas que surgiram já há alguns meses possam te proteger mais ainda! Quando tudo estiver bem e você tiver sido examinado pela tia Ana Paula, queria muito que seu papi desse seu primeiro banho. Ele vai amar, e do jeito habilidoso que é, aprenderá com muita facilidade (e é quem vai me ensinar depois).

Quando os enfermeiros do hospital te levarem para uma sala com outros bebês, para que fique algumas horas, não fique assustado(a), seu pai ficará junto o tempo todo pra que você não se sinta sozinho, e para que ele consiga que você venha pra perto de mim o mais rápido possível! E depois você aprenderá a mamar e eu a amamentar, e num eterno suga suga para que meu leite desça e eu consiga finalmente realizar mais um sonho.

Seus avós e tios vão te conhecer quando você vier pro nosso quarto, comemoração linda em família. Temos muitos amigos, que estão doidinhos pra te conhecer também. Combinamos que se estivermos bem, nós os receberemos e o papi ficará com a antena ligada para que nós dois não fiquemos cansados. E teremos de sentir na hora quais serão nossos reais desejos.

Bem, e quando finalmente formos pra casa, te apresentaremos cada cantinho do seu novo lar, que está te esperando com os braços abertos para te aconchegar pelo resto de nossas vidas, e construiremos uma família verdadeiramente feliz J.

Te amamos simplesmente, e que essas próximas semanas, meses e anos que virão sejam reflexos dessa gestação maravilhosa que estamos tendo. Que juntos sejamos felizes e saibamos cumprir a missão que nos foi amorosamente confiada.

RELATO DE PARTO

Exatamente à virada da lua de 30/06 rompe a bolsa das águas e um ciclo de ondas dá início à melhor sensação que uma mulher pode ter: pari o anjo Gabriel! Amparados por uma equipe maravilhosa, líderes do movimento da humanização do nascimento, sob o olhar fraterno dos avós, impulsionada pela força da mãe natureza, o nosso pequeno príncipe vem ao mundo pelo braço da avó, mergulhado na água com todo o respeito que o momento merece. Sim, é menino! Um bebê que chegou chegando, olhos abertos para conhecer o pai e a mãe que tanto ansiavam por esse momento. Gabriel veio ao mundo naturalmente, como todo bebê deveria vir. E se o parimos da maneira como vivemos, hoje, aos 30 anos, entendi como eu vivo! Que alegria meu Deus!

Tudo começou em 29/06 (estava com 39 2 dias)! Acordamos, decidimos almoçar no Bar do Alemão, seguido de um sorvetinho especial em Moema. Tudo porque o dia seguinte era o dia (dia 30/06 foi cotado triplamente no bolão em família, e era a grande aposta do pai). Pra que arriscar? Decidimos aproveitar muito o sabadão. Partimos pra casa dos meus pais para uma sessão de fotos do barrigão com meu irmão. Dia lindo, um sol esplêndido! Uma cochiladinha básica no sofá mais confortável do mundo, quando resolvemos jantar na Família Manccini com os meus sogros. Nada de pródromos, apenas as contrações de treinamento mais duradouras (mas nenhuma novidade). Ao voltarmos pra casa, disse ao Edu: melhor colocar o protetor de colchão que você comprou ontem. (eu pedi para que ele comprasse, pois minha amiga havia parido 1 semana antes e manchou o colchão quando a bolsa rompeu, rsrsrs.) Ele: “Mas vamos precisar?” Eu: “Sim, você não apostou o dia 30? Pra que arriscar?” Colocamos o protetor plastificado às 00h30. Acordo um pouco depois de pegar no sono, com o intestino solto, solto. Volto a dormir, sinto um incômodo no pé da barriga por duas vezes. Eis que a lua vira à 1h55. Plaft, sinto um dilúvio, uma inundação quentinha quentinha. A bolsa rompeu!!! Olho no relógio: 1h58! Grande lua! Acordo o Edu: “Amor, a bolsa rompeu”. Ele: E agora? Eu: Vou avisar a equipe. Observo o colchão com o santo protetor, uma água verdinha, mecônio (justamente o que eu não queria, o coração pediátrico disparou um pouco, mas logo pensei: o bb está maduro, é sinal de que é a hora dele mesmo).

Ligo pra Cris Balzano, as contrações já estavam vindo, ainda não sabia o ritmo, mas eram fortes! Ela avisaria o restante da equipe. Ligo pra minha mãe: “Iemanjá deu o sinal, a lua virou e a bolsa rompeu, pode vir pra cá que já estou em trabalho de parto. Só não esqueça do Papito, rsrsrs.”

O Du ainda imobilizado na cama: “E agora? O que faço?” Eu: “Amor, leve as malas da maternidade, as lembrancinhas e marque as contrações no seu aplicativo.” Tomei uma ducha, relaxante. As contrações vinham a cada 3 minutos, germânico mesmo.

O interfone toca, meus pais chegaram. Que alegria!!! Abraço fortemente aqueles que me deram a vida e que foram a maior inspiração para esse momento, há tanto esperado!

Chega a Cris Balzano, Ana Cris estava num outro parto. Traz o aparelho de cardiotoco (devido ao mecônio). Eu estava com 3cm de dilatação, mas contrações rítmicas e fortes. A dor era suportável, acho que no pé da barriga apenas. Vamo que vamo!!!

Às 4h30 aproximadamente partimos para o São Luiz. Sempre soube que seria num domingo, sem trânsito! Comentara isso com a Cris Balzano numa consulta. A Marginal Pinheiros silenciosa… Contrações, respiração. Não queria mudar de posição no carro! A cada contração uma respiração profunda, CONCENTRAÇÃO!

Ao chegar no hospital, lembro-me que todos foram estacionar o carro enquanto eu entrei na admissão. Entreguei meus documentos pra um moço e disse: Estou parindo! Foram alguns minutos sozinha naquele saguão, eu queria ficar em pé, apenas em pé, apoiando minhas mãos sobre um sofá!

Passamos pelo exame admissional (cardiotoco, nova cardiotoco, que saco!), fomos a pé para o delivery. Fiquei sentada na ponta do sofá, dali não queria sair por nada! A contrações vindo, respira, abre, vamos conseguir!!! Chega a Andrea, que alegria minha irmã mais velha, mas nova cardiotoco?!? Que raios??? E ali ficamos, eu, o Arrozinho pula-pula, a Cris Balzano, minha mãezinha (acho que só naquele momento). Olhei pra parede, um relógio. “Tira esse relógio daí!!!” Foi a grande sacada, aquele relógio representava tudo o que poderia me atrapalhar naquele momento, o rigor germânico, a minha pontualidade, meu sofrimento com a demora e atrasos. O meu eu racional me afastaria do eu instintivo emocional (esses que se confrontam todos os dias da minha vida). Iria me atrapalhar com certeza. Cobriram o relógio.

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Deitei no colo da minha mãe por alguns minutos, QUE COLO! Bola, chuveiro. Que delícia estava aquele chuveiro! Relaxei tanto! Tanto! O toque: “Só quero saber se estiver indo bem!” ”Está tudo bem, 5 cm!” 5? Afe, ainda temos um caminho pela frente. Ouvia gritos da sala do lado, a outra parturiente (também da Andrea), estava com 7 cm segundo o que ouvi. MEDO! Meu Deus, serei eu daqui a pouco. O que mais me angustiava era pensar no que estava por vir! Foi aí que eu me desconectei. Fui pra bola e me desconectei do mundo, dos que estavam na sala, me conectei com meu corpo, meu útero, minhas pernas. Agora a sensação era intensa, começava no pé da barriga e chegava nas coxas, ia e vinha. Pensei nas ondas, tentava não fugir delas. Um calor na região lombar, não queria massagem, só o calorzinho. Não sentia muito essa região, percebia mais minha barriga, minhas pernas, ai as pernas… E assim fiquei, não queria sair dali. Num determinado momento quis urinar, saiu sangue?!? Minha mãe logo disse, colo esvaecendo! Sim, meu colo estava esvaecendo! Estava, portanto, na fase mais intensa. Não tive vontade de gritar, apenas concentração. Permanecia com os olhos fechados a maior parte do tempo. A Andrea me sugeriu a banheira, eu fiquei receosa de relaxar demais, ela disse: aproveite tudo! A banheira, chuveiro, bola, o que puder! E lá fui, pra banheira.

Aí sim! Que delícia, quentinha!!! Imersa na água, nas contrações, por vezes via minha mãe, ás vezes a Cris, não sei o que rolava lá fora. Mas rapidamente veio uma vontade de fazer força! ALEGRIA, ESPERANÇA, seria o expulsivo? Então passei da pior fase? Avisei minha mãe, que rapidamente foi avisar a Andrea. Chega a Ana Paula, ENERGIA! Mãe e Ana Paula, juntas, rezaram em silêncio, respeitando o meu silêncio! Chega a Ana Cris, FORÇA, que me dá um forte abraço, tum tum, novamente o sonar. E aos poucos a sala vai enchendo novamente. Edu, pai, mãe, Cris, Ana Cris, Ana Paula, eu e meu Arrozinho. Todos conectados naquele momento. Infelizmente a Ana Cris teve que ir pra outro parto, mas sei que ela estaria presente de coração.

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Bem, era grande a expetativa, estava com 9-10cm de dilatação, bebê já descendo! As contrações ficaram mais espaçadas, cada vez mais! Mas adorei essas contrações, elas vinham com tudo, me sugerindo que eu fizesse muita força! Assim obedeci! E a força abrandava o desconforto! Num determinado momento eu relaxei tanto, era tão bom ficar ali, no quentinho!

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Olhos fechados, ouvia a Andrea me sugerindo posições, mas eu queria era ficar ali, semi-deitada na banheira. Até que a Andrea sugeriu o banquinho, em algumas contrações o bebê rapidamente desceu. Já sentia e via a cabecinha pelo espelho, era carequinha meu bebê. Quando já estava bem baixo, voltei pra banheira. Chegara o momento, meu bebê ia nascer. As ondas vinham, fortes eu empurrava. “Na próxima nasce!”, dizia a Andrea. Du, quer pegar?  Não!

E eu “Filma” rsrsrs Minha mãe: você quer que eu pegue Rê? (era o meu grande sonho). Sim, mãe, pegue O seU netinhO (no fundo eu já sabia). Obviamente que esses detalhes só observei no vídeo!

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Mãos embaixo do sacro, minha pelve seria um escorregador, como aprendi na Eutonia (com Gabriela Bal), pernas para cima, era assim que naquele momento eu queria parir. E veio, uma onda intensa, a maior força do mundo, saia a cabecinha. Eu pedi: “Tira”, rsrsrs. Mas esperaram uma nova contração, que não vinha. Então eu fiz força mesmo assim. Com todo o amor do mundo, meu bebê chega ao mundo pelos braços da avó, que entrega pra mim meu maior presente. E finalmente vejo: é Gabriel, amor! Esse anjo que não chorou a princípio, mas olhava pra mim uéee, olhava pro Dú, uéee, e assim repetia inúmeras vezes, conhecendo os pais que tanto o aguardavam. Lágrimas nos olhos do Edu, Risos no meu rosto. 12h22, canceriano, com ascendente em escorpião. Após alguns minutos, ele chorou, forte em meu colo, com um olhar tão expressivo que o marcaria por todos os dias. E assim ficamos, por eternos minutos, até que o cordão parasse de pulsar e o Dú cortasse o que energeticamente nos uniu por tantas semanas.

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Entrei na partolândia? Não sei dizer, alguns dizem que sim, outros que não. Eu sinto que sim, a partolândia que nada mais era senão a conexão que tive com meu corpo, a desconexão com o mundo na hora precisa. Senti dor? Desconforto desconforto, mas que logo cessava à medida que mentalizava: está abrindo, vou conseguir. Insegurança? Num determinado momento falei pra Cris: não vou conseguir, e ela retrucou: vai conseguir SIM! Se faria diferente? NADA, fiz o que o meu EU me mandou.

Analisando retrospectivamente, talvez tenha sido até um pouco racional nas coisas que eu pensava, em como interpretava cada momento do trabalho de parto, mas isso faz tão parte da minha personalidade que não seria diferente. Quando precisei, larguei a determinação racional me tornando animal, e obedeci a mãe natureza quando ela assim o quis.

Quanto às apostas no bolão em família (cada um escreveu sua aposta num papelzinho, isso em dezembro/2012)… Eu: 17 junho, Gabriel, tinha ideia fixa de que nasceria num domingo/  Edu: 30 de junho, Gabriel/ Meu pai: 9 de julho, Catarina/ Minha mãe: com 39 semanas, Catarina/ Meu irmão:  4 de julho (na DPP),  Gabriel/ Minha irmã: 5 de julho, Catarina/ Meu cunhado (noivo da minha irmã): 30 de junho, Gabriel/ Minha cunhada (namorada do meu irmão): 30 de junho, Gabriel. Os agregados da família Kuhn acertaram em cheio;)

Curiosidade: como estava tendo muitas contrações desde 28 semanas, por superstição pulava a música “Nascer” da Isadora Canto, não queria que ele nascesse antes da hora… E com 39 semanas e 1 dia voltei a ouvi-la e disse pro Arrozinho: “Bebê, acho que estamos preparados”…

E o Jorge Kuhn? Bem, esse curtiu em silêncio cada momento da chegada de seu netinho. Narrou cada detalhe por whats app para meus irmãos e cunhados que de longe enviaram todas as vibrações para que o parto transcorresse da maneira como sonhara. Fotografou, filmou, se emocionou com o maior presente que poderia ter recebido: um netinho para alegrar nossos corações.
Obrigada do fundo dos nossos corações à Andrea S Q Campos, Ana Cristina Duarte, Cristina Balzano Guimarães, Ana Paula Caldas, equipe 100% feminina que compôs esse time. Mulherada sem igual!
Obrigada às musas inspiradoras Debora Regina Magalhães Diniz, Relze Fernandes, Catia Chuba, Márcia Koifmann, e tantas outras mulheres fantásticas, maternas!
À Esmerinda Cavalcante e Jorge Kuhn, que mudaram de geração junto comigo! Amor e exemplo eternos! Agora avós!
Aos tios Clara Kuhn, Otavio Cavalcante Kuhn, Tania Rangel e Daniel Szabo pela torcida e amor intensos à cada contração.
Aos avós Angela e Zezinho, aos tios Thaís e William, que respeitaram todas as nossas escolhas, meu carinho e gratidão!
Ao Edu, meu amor, que acompanhou tudo da maneira mais tenra, sempre me incentivando para que esse sonho fosse possível.
À mãe Iemanja, que cuidou com tanto carinho desse momento!
À Deus, que permitiu às mulheres viver essa sensação única!
E finalmente ao pequeno Gabriel, que durante toda a gestação (desde as 10 semanas) até mesmo no dia de seu nascimento me dava sinais de que sempre estava tudo bem, tranquilizando-me em absoluto com seus movimentos intensos.

Te amo eternamente meu bebê!

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4 pensamentos sobre “Gabriel – Renata & Eduardo

  1. Muito lindo Re!!! Muita luz e muita emoção neste momento tão maravilhoso e especial da sua vida!!! E muito bom acompanhar desde o começo a história do nosso anjo Gabriel.

  2. que lindoo! me emocionei com o relato, cada reflexão e pensamento encorajador! me inspiro com a sua carta ao bebezinho de pedir e sentir quando ele estava vindo para a familia… imaginar a concepçao, implantação e desenvolvimento… que lindo e poetico… gratidao por compartilhar tamanha declaraçao de amor a vida e ao seu bebe! conexão, amor e fé…

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